Exames de Imagem

Na última década, um dos pontos de maior crescimento no conhecimento da endometriose se concentrou na melhor aplicação dos métodos de imagem no auxílio diagnóstico da endometriose infiltrativa profunda. Novamente importante pontuar que os focos superficiais peritoneais não tem possibilidade diagnóstica com métodos de imagem.

Os endometriomas ovarianos, em geral, não tem maior dificuldade para serem identificados pela característica de seu conteúdo ao ultrassom. Por vezes, pode haver dúvida com cistos ovarianos hemorrágicos, devendo então repetir-se o exame em intervalo de 4 a 6 semanas, após o fluxo menstrual, para esse controle: caso o cisto permaneça com as mesmas características, a suspeita de endometrioma prevalece. Ainda em relação ao cisto ovariano, pode haver dúvida também relativa a outros tipos de cistos: nesses casos é possível a realização de ressonância nuclear magnética de pelve que auxilia nessa diferenciação.

Na endometriose profunda, existem três exames disponíveis para o diagnostico por imagem: ultrassom transvaginal e pélvico, ultrassom transretal e ressonância nuclear magnética (RNM) de pelve. Cada método tem suas características próprias, mas devemos considerar alguns pontos na escolha do exame a ser solicitado, como locais da doença a serem avaliados, custo, preparo para o exame (incluindo preparo intestinal) e necessidade de sedação.

Diversos estudos têm sido publicados considerando e comparando esses métodos e a conclusão que a maioria tem chegado é a preponderância do ultrassom transvaginal e pélvico como primeira escolha de avaliação de imagem por ter custo mais baixo, ser mais acessível, menos desconfortável, não necessitar de sedação nem contraste e acessar todos os possíveis locais comprometidos por lesões profundas: região retrocervical, vagina, septo reto-vaginal, reto-sigmóide, bexiga, ureteres, íleo terminal, ceco e apêndice, além dos ovários.

Com o ultrassom transvaginal (USTV), em estudo que publicamos em 2010, avaliando 194 pacientes, sendo 42% com endometriose em reto-sigmóide, a acurácia para determinar a presença de uma lesão nesse local foi de 99% e de mais de 2 lesões foi de 88%. Em nosso protocolo, solicitamos que a paciente realize preparo intestinal simples, com o uso de laxante via oral na noite anterior ao exame e aplicação de enema via retal uma hora antes do ultrassom, o que auxilia a visualização das lesões.

Esse exame fornece informações fundamentais para a abordagem da paciente com endometriose e especialmente nas formas mais graves da doença, como nas lesões intestinais ao determinar a presença da lesão, seu tamanho, a camada da parede intestinal afetada pela lesão, a distância da lesão em relação à borda anal e a circunferência da parede intestinal comprometida pela lesão. Cada um desses itens é importante, principalmente na indicação do tratamento cirúrgico.

 

 

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Agradecimentos ao Dr. Manoel Orlando Gonçalves por ceder as imagens de ultra-som.

Imagem de ultrassom transvaginal normal

Imagem de ultrassom transvaginal normal

Imagem de ultrassom transvaginal com endometrioma de ovário

Imagem de ultrassom transvaginal com endometrioma de ovário

Imagem de ultrassom de duas lesões de endometriose em reto

Imagem de ultrassom de duas lesões de endometriose em reto

Imagem de ultrassom de lesão de bexiga

Imagem de ultrassom de lesão de bexiga

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